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Medalhões, dívidas e fracassos

Como o São Paulo errou em suas principais contratações

 

Salve, Nação Tricolor.

Dando sequência às análises sobre o momento do São Paulo, é preciso abordar um tema que se tornou marca registrada do atual grupo político que dirige o clube: a criação artificial de ídolos e a tentativa de comprar grandeza por meio de contratações de impacto, porém sem planejamento.

Desde 2008, ano do último grande momento de hegemonia nacional, o São Paulo deixou de ser referência esportiva, parou de conquistar títulos relevantes e, como consequência, deixou de formar ídolos. Em vez de encarar essa realidade com gestão estruturada, as últimas administrações buscaram soluções imediatistas: investir pesado em atletas caros, muitas vezes em final de carreira, aumentando a dívida e acumulando frustrações. Abaixo, alguns casos emblemáticos desse processo.

Alexandre Pato – Segunda passagem (2019–2020)

Pato retornou ao São Paulo em 27 de março de 2019 com expectativa de reviver o protagonismo do passado. Disputou 35 jogos e marcou 9 gols, mas enfrentou irregularidade, baixa competitividade e longos períodos no banco. Seu salário girava em torno de R$ 1,0 milhão por mês. Em agosto de 2020, deixou o clube por rescisão amigável. Foi uma aposta de alto custo e retorno técnico muito abaixo do esperado.

Daniel Alves – (2019–2021)

Daniel Alves chegou ao São Paulo em 1º de agosto de 2019 num dos momentos mais midiáticos das contratações recentes. Durante sua passagem, disputou cerca de 95 jogos, marcou 10 gols, deu 14 assistências e participou do time Campeão Paulista de 2021 como coadjuvante. O custo para o clube foi alto: o salário estimado para o lateral-meia girava em torno de R$ 1,5 milhão/mês. Em 16 de setembro de 2021, o vínculo foi encerrado em meio a problemas extracampo — e a torcida que havia comemorado sua chegada, comemorou mais ainda sua saída.

Daniel Alves chegou em 1º de agosto de 2019 em uma das contratações mais midiáticas da história do clube. Atuando como lateral e meio-campista, disputou cerca de 95 jogos, marcou 10 gols, deu 14 assistências e participou da conquista do Paulistão de 2021, embora sem grande protagonismo. Com salário estimado em R$ 1,5 milhão por mês, tornou-se um dos maiores custos da história tricolor. O vínculo foi encerrado em 16 de setembro de 2021 em meio a conflitos internos — e a euforia da chegada se transformou em alívio generalizado com sua saída.

Hernanes – Terceira passagem (2019–2021)

Após o empréstimo de grande impacto em 2017, Hernanes retornou definitivamente ao clube em 29 de dezembro de 2018. Na terceira passagem, disputou 56 jogos e marcou 8 gols. Seu rendimento foi inferior ao esperado devido à queda física e às constantes oscilações. O salário, segundo estimativas, ficava em torno de R$ 1,1 milhão por mês. Deixou o clube em maio de 2021. Se sua segunda passagem foi determinante para salvar o time do rebaixamento, a terceira foi marcada por desempenho discreto e encerramento melancólico.

James Rodríguez – Uma aposta que não vingou (2023–2024)

Contratado em 29 de julho de 2023 com status de estrela internacional, James recebeu salário estimado em R$ 1,0 milhão por mês. Apesar do potencial técnico, viveu entre lampejos, falta de consistência, problemas físicos e divergências internas. Disputou pouco mais de 20 partidas, marcou 1 gol, deu 3 assistências e acumulou cerca de 700 minutos em campo. O vínculo foi encerrado em 2024. A contratação representou uma aposta arriscada — e, ao final, equivocada e mal conduzida, um sinônimo de fracasso.

Lucas Moura – A volta para casa (2023–presente)

Apresentado em 2 de agosto de 2023, Lucas voltou com grande expectativa e foi decisivo na campanha da Copa do Brasil, especialmente ao marcar gol fundamental na semifinal. Desde o retorno, no entanto, disputou apenas 44 partidas, com 12 gols e 5 assistências. Seu salário é estimado em R$ 1,5 milhão por mês, colocando-o entre os mais bem pagos do elenco. Apesar do impacto inicial, parte da torcida critica sua irregularidade e as constantes ausências por questões físicas — muitos afirmam que “depois da Copa do Brasil ele não jogou nada”. Sua segunda passagem segue em andamento e ele pode mudar esse cenário que hoje, é de frustração pela expectativa criada.

Oscar – O retorno (2025–presente)

Anunciado em 24 de dezembro de 2024, Oscar chegou como principal reforço e com um dos maiores salários da história tricolor: cerca de R$ 2,3 milhões por mês. Em 2025, disputou 21 jogos, marcou 2 gols, deu 5 assistências e somou aproximadamente 1.484 minutos até novembro. Entre problemas físicos e recente complicação cardíaca, sua passagem corre o risco de terminar antes de render o retorno técnico esperado pela diretoria. A aposta representa o ápice do investimento financeiro recente — e também o ápice do risco que pode terminar em fracasso. Muitos torcedores, ao analisar a contratação, questionam: “Não aprenderam nada com o caso do James?”

Ao analisar essas contratações — e aqui caberia incluir também a segunda passagem de Calleri —, percebe-se um padrão recorrente: o São Paulo tem errado de maneira sistemática ao investir em nomes de peso sem planejamento. A diretoria insiste em contratações midiáticas que elevam a folha salarial, aumentam a dívida e, com frequência, pouco agregam em campo.

Enquanto parte significativa do orçamento é comprometida com atletas lesionados ou longe da performance ideal, os técnicos precisam operar milagres para manter o São Paulo competitivo em meio a elencos curtos e desequilibrados. O resultado é um clube que tenta comprar grandeza, mas entrega desempenho de coadjuvante.

Salvem, o tricolor paulista (de deus dirigentes).

Guine,

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